Concreto armado: uma análise de patologia e reparo
Publicado em 06/12/2017

Gustavo Henrique Martins Serqueira*
Dr. Fabrício Moura Dias*
*Engenheiros Civis

O concreto é amplamente utilizado nas estruturas de edifícios, pontes, viadutos e até em rodovias no Brasil e no mundo por apresentarem excelentes resultados de desempenho e qualidade. Na construção civil é usual a utilização do concreto armado que apresenta uma boa resistência de esforços conjugados: compressão e tração.

Para garantir uma estrutura de concreto armado com resultados ótimos de desempenho e qualidade, faz-se necessário a elaboração de projetos que atendam aos requisitos das normas técnicas. No Brasil a principal norma que regulamenta as estruturas de concreto armado é a NBR 6118/2014 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, existindo também uma série de normas complementares que auxiliam no projeto e execução de obras de concreto.

Estruturas produzidas com qualquer material carecem de manutenção e cuidado ao longo de sua vida útil, pois as estruturas se deterioram (adoecem) com o tempo. Para o entendimento deste processo, dois termos precisam ser conceituados: “patologia” e “vida útil”. O termo patologia quando aplicado à construção civil é similar à definição utilizada na medicina, sendo estudada a sua origem, sintomas e natureza das doenças na estrutura, considerando como patologia às manifestações que prejudiquem o desempenho da estrutura. O termo vida útil é utilizado para definir o tempo máximo em que a estrutura mantém suas características mínimas de resistência e capacidade de funcionamento.

As patologias em estruturas de concreto armado ocorrem por falhas de projeto, falhas de execução, uso inadequado da estrutura e falta de manutenção. Em obras mais antigas as patologias do concreto surgem principalmente pelo déficit de qualificação da mão de obra e pelo emprego de técnicas construtivas que não contemplam as metodologias necessárias para o prolongamento da vida útil das estruturas.

PRINCIPAIS PATOLOGIAS EM ESTRUTURAS DE CONCRETO: CORROSÃO E FISSURAS

A corrosão é uma das principais patologias decorrentes em estruturas de concreto, ocorre principalmente por fatores químicos, seja pela penetração de dióxido de carbono nos espaços vazios da estrutura formando o fenômeno denominado carbonatação ou pela presença de cloretos no meio, realizando a corrosão direta na estrutura. Em OAE’s - Obras de Artes Especiais, especialmente em pontes que ficam sujeitas às cargas e agentes químicos provenientes de águas correntes, é comum o processo de corrosão da estrutura através da lixiviação. A lixiviação é um processo de dissolução e transporte da cal hidratada, sua nocividade em relação ao concreto se dá principalmente à redução da área de seção de concreto e aço podendo alterar as características mecânicas. A lixiviação pode também contribuir para o aparecimento da carbonatação.

Assim como na lixiviação o principal problema da corrosão na estrutura de concreto armado é a redução da área de seção do concreto e do aço, podendo acarretar alterações nas características mecânicas da estrutura (Figura 1).

Figura 1 – Processo de Corrosão/Lixiviação em Arco de Ponte e em pilar de fundação

As fissuras podem ser provocadas por vários fatores, os principais são: mau uso da edificação, recalques excessivos na estrutura, juntas de concretagem mal executadas, falta de aparelho de apoio na junção dos elementos construtivos e má execução em geral (Figura 2).

Figura 2 – Matéria orgânica depositada em fissuras da estrutura de uma ponte.

IDENTIFICAÇÃO E TRATAMENTO DE CORROSÃO E FISSURAS NA ESTRUTURA

Para tratar à corrosão em estruturas de concreto faz-se necessário identificar às possíveis origens da patologia e às áreas afetadas pela mesma. Os principais fatores que dão origem aos processos de corrosão são: recobrimento nominal insuficiente nas armaduras, concreto com fator de água e cimento fora dos padrões de norma, deficiência na cura do concreto, segregação do concreto e formação de vazios na concretagem, erros de traço de concreto e lançamentos e vibrações executadas inadequadamente.

O tratamento do concreto corroído ocorre com a remoção do concreto deteriorado. Se limpa a armadura corroída e analisam-se cuidadosamente as barras corroídas avaliando a perda de resistência da barra examinada. Caso a perda ultrapasse os 10% de área da barra de aço, as mesmas devem ser suplementadas, conforme o manual do DNIT – Departamento Nacional de Transito publicado em 2006. Depois da retirada de todos os detritos presentes na armadura, elas devem ser pintadas com tinta antiferruginosa e deve ser reposto o cobrimento da armadura de aço (Figura 5).

Figura 5 – Proteção da armadura de aço com tinta antiferruginosa e do concreto deteriorado.

                                        Fonte: GEOFOCO.(2017)

Antes de iniciar o processo de reparo de fissuras na estrutura de concreto é necessário determinar o tipo de fissura, essa análise se faz necessária para definir o tipo de material a ser utilizado para tratamento da patologia.

Para alguns tipos de fissuras, é indicado o uso de epóxi para o tratamento, como: metacrilatos, poliuretanos estruturais, micro cimentos e outros. As resinas epóxi recompõem, protegem e selam a estrutura, além de possuir alta resistência mecânica a tração, compressão e cisalhamento.

CONSIDERAÇÕES NO BRASIL

O sistema construtivo em concreto armado é o mais usual no Brasil, porém a grande maiorias das obras nacionais são de pequeno e médio porte e é comum a realização das mesmas sem projetos, sem profissionais devidamente habilitados e sem parâmetros construtivos normatizados. A grande maioria dos problemas patológicos existentes na estrutura se dá na maioria dos casos pela somatória desses fatores abordados anteriormente, aliados ao mau uso e ao subdimensionamento.

O custo para se recuperar uma estrutura no país ainda é muito alto. Grande parte dos materiais utilizados para recuperação é importado. Além disso, os processos de recuperação de uma estrutura requerem uma mão de obra altamente qualificada, além de ensaios de alta complexidade e projetos qualificados o que oneram bastante os custos para execução desse tipo de reparo.

Sendo assim, para a eficiência de uma estrutura em concreto armado é necessária a aliança entre um projeto bem feito, uma execução de qualidade dentro das exigências de projetos das normas brasileiras, inspeções e manutenções periódicas na estrutura.


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